Como as empresas devem se ajustar à Reforma Tributária: Guia Prático
- Compels
- 14 de nov. de 2025
- 10 min de leitura
Entenda as mudanças da Reforma Tributária 2025 e descubra o que sua empresa precisa fazer para se adequar à LC 214/2025. Guia completo com prazos, obrigações e estratégias de adaptação.
Introdução
A Lei Complementar nº 214, sancionada em 16 de janeiro de 2025, marca o início oficial da regulamentação da Reforma Tributária brasileira, trazendo mudanças profundas que impactarão empresas de todos os portes nos próximos anos.
Diferente do que muitos imaginam, a Reforma Tributária não é algo distante ou que pode ser deixado para "depois".
As empresas devem se adequar a novas obrigações já a partir de julho de 2025, com cronograma progressivo até janeiro de 2026, quando as novas exigências se tornam obrigatórias.
Este artigo apresenta um guia prático e objetivo sobre o que sua empresa precisa fazer agora para estar preparada. Não se trata de promessas ou soluções mágicas, mas de um caminho estruturado que demanda planejamento, recursos e, principalmente, disciplina operacional.
A Realidade da Reforma: Entendendo o Novo Cenário
O Que Realmente Mudou
A Lei Complementar nº 214/2025 regulamenta três novos tributos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS).
O sistema atual (até 2026):
PIS e COFINS (federais)
ICMS (estadual)
ISS (municipal)
IPI (federal)
O novo sistema (gradualmente até 2033):
CBS - substitui PIS, COFINS e IPI (federal)
IBS - substitui ICMS e ISS (estadual/municipal)
IS - Imposto Seletivo sobre produtos específicos
A transição não será abrupta. O processo será iniciado em 2026 e deverá ser concluído em 2033, permitindo uma transição gradual entre os sistemas antigo e novo. Porém, isso significa que durante sete anos as empresas precisarão lidar com dois sistemas tributários simultaneamente - e é aqui que reside o maior desafio operacional.
Por Que Empresas Não Podem Esperar
Entre julho e setembro de 2025 começa a fase de testes para emissão de documentos fiscais com os novos campos obrigatórios. Em outubro inicia a produção opcional, e a partir de janeiro de 2026 torna-se obrigatório.
Quem deixar para se adequar em dezembro de 2025 enfrentará:
Rejeição de notas fiscais - operações comerciais travadas
Perda de competitividade - concorrentes já adaptados estarão à frente
Risco de autuações - multas por não conformidade
Pressão operacional extrema - equipes sobrecarregadas tentando fazer em semanas o que deveria levar meses
O Que Sua Empresa Precisa Fazer: Checklist Completo
1. Mapeamento e Diagnóstico imediatos
1.1 Entenda seu regime tributário atual
Antes de planejar a transição, você precisa saber exatamente onde está.
Perguntas essenciais:
Qual o regime tributário da empresa? (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real)
Quais tributos são recolhidos atualmente?
Qual a carga tributária efetiva sobre as operações?
Existem benefícios fiscais que serão afetados?
Empresas optantes pelo Simples Nacional poderão escolher o regime regular da CBS e do IBS, sendo essa decisão irretratável para cada período: em setembro (com efeitos de janeiro a junho do ano seguinte) ou em abril (com efeitos de julho a dezembro).
Esta decisão é crítica e irreversível para o período escolhido. Uma análise detalhada é indispensável.
1.2 Mapeie sua cadeia de suprimentos
A Reforma Tributária trouxe aprimoramento da regra da não cumulatividade. O contribuinte poderá se creditar dos tributos pagos nas operações em que for adquirente, exceto nos casos de uso ou consumo pessoal.
O que mapear:
Liste todos os fornecedores e o regime tributário de cada um
Identifique quais compras geram direito a crédito
Analise contratos vigentes e cláusulas tributárias
Verifique se fornecedores estão se adequando à reforma
Por que isso importa: Se seu fornecedor não estiver adequado, você não conseguirá aproveitar créditos tributários corretamente, perdendo competitividade.
1.3 Revise todos os produtos e serviços
Para garantir a correta emissão de documentos fiscais, as empresas deverão utilizar três novas tabelas obrigatórias: Código de Classificação Tributária, Situação Tributária (CST) e Créditos Presumidos.
Ação prática:
Crie planilha com todos os produtos/serviços comercializados
Classifique cada item conforme NCM atual
Prepare para reclassificação conforme novas tabelas
Identifique produtos sujeitos ao Imposto Seletivo
2. Adequação Tecnológica
2.1 Avalie seu sistema de gestão atual
Este é um momento de verdade para muitas empresas. Sistemas inadequados não vão conseguir lidar com a complexidade da transição.
Perguntas críticas sobre seu sistema:
Ele processa tributos federais, estaduais e municipais de forma integrada?
Tem capacidade de calcular créditos tributários por operação?
Permite emissão de documentos fiscais com os novos campos obrigatórios?
Cenários possíveis:
Cenário A - Sistema robusto (ERP Easy): Você precisará de atualização e parametrização, mas a base é sólida.
Cenário B - Sistema básico (software simples): Avalie se o fornecedor tem capacidade técnica e financeira para desenvolver as adequações necessárias.
Cenário C - Planilhas e processos manuais: A realidade é dura: não há como enfrentar a Reforma Tributária com planilhas. A complexidade é simplesmente incompatível com gestão manual.
2.2 O Papel do Sistema de Gestão na Transição
Um sistema de gestão adequado não faz milagres nem opera sozinho, mas é a infraestrutura necessária para que sua equipe consiga:
Gestão de documentos fiscais:
Emitir notas com os novos campos obrigatórios
Validar informações antes do envio
Manter histórico completo de operações
Gerar relatórios de conformidade
Controle de créditos tributários:
Registrar compras e vendas com classificação correta
Calcular créditos disponíveis por operação
Conciliar créditos com fornecedores
Identificar oportunidades de aproveitamento
Gestão da transição (2026-2033):
Processar simultaneamente impostos antigos e novos
Gerar obrigações acessórias de ambos os sistemas
Calcular impacto financeiro da migração
Importante: O ERP Easy, como outros sistemas de gestão empresarial, precisará ser parametrizado e configurado por sua equipe para atender às especificidades do seu negócio. Esse passo é fundamental e deverá ser realizado em qualquer sistema.
3. Capacitação e organização de pessoas
A reforma exige uma mudança de cultura e engajamento. É importante capacitar os times para operar sob as novas regras, desde a alta liderança até a operação.
3.1 Equipe Fiscal e Contábil
Treinamentos obrigatórios:
Entendimento profundo da LC 214/2025
Novas regras de não cumulatividade
Tabelas fiscais obrigatórias (cCLASStrib, CST, Créditos Presumidos)
Preenchimento correto de documentos fiscais
Gestão de créditos tributários
Recomendação: Invista em cursos especializados e certificações. O mercado terá escassez de profissionais qualificados na nova legislação.
3.2 Departamento Comercial
Vendedores e gestores comerciais precisam entender:
Como a reforma afeta precificação
Mudanças em contratos com clientes
Impacto na competitividade vs concorrentes
Argumentos para justificar ajustes de preços
3.3 Compras e Suprimentos
O time de compras tem papel crítico:
Verificar adequação dos fornecedores
Negociar cláusulas de ajuste tributário em contratos
Garantir recebimento correto de documentos fiscais
Priorizar fornecedores que geram créditos adequados
3.4 Alta Gestão
Diretores e gerentes precisam:
Aprovar investimentos necessários em tecnologia e pessoas
Entender riscos e oportunidades estratégicas
Tomar decisões sobre regime tributário
Acompanhar indicadores de adequação
4. Adequação de Processos Operacionais
4.1 Revisão de Precificação
A nova carga tributária pode exigir que empresas ajustem seus preços. É recomendável analisar o impacto da reforma e implementar ajustes de forma gradual, mantendo as relações comerciais sólidas.
Passo a passo:
Calcule a carga tributária atual:
Some todos os tributos pagos (diretos e embutidos)
Calcule % efetiva sobre o preço de venda
Identifique produtos mais afetados
Simule a carga tributária futura:
Estime alíquotas de IBS + CBS para seu setor
Calcule créditos que poderá aproveitar
Projete carga efetiva no novo sistema
Analise impacto por produto:
Produtos que ficarão mais caros
Produtos que ficarão mais baratos
Margem de contribuição por produto
Estratégia de ajuste:
Reajustes graduais ao longo de 2025-2026
Comunicação transparente com clientes
Análise de elasticidade de demanda
4.2 Gestão de Contratos
Todos os contratos precisam ser revisados:
Contratos com clientes:
Incluir cláusula de ajuste por mudança tributária
Definir gatilhos de revisão de preço
Estabelecer transparência sobre componente tributário
Contratos com fornecedores:
Exigir adequação à reforma tributária
Garantir emissão correta de documentos fiscais
Prever penalidades por não conformidade
Contratos de longo prazo:
Renegociar valores considerando novo cenário
Estabelecer mecanismo de revisão periódica
Proteger ambas as partes de mudanças legislativas futuras
4.3 Fluxo de Caixa e Planejamento Financeiro
A reforma institui o split payment, em que o imposto é automaticamente descontado no momento da transação financeira. Plataformas digitais, adquirentes e bancos passam a ser responsáveis por recolher o tributo antes que o valor seja repassado ao vendedor.
Impacto no caixa:
Empresa receberá valor líquido, já deduzido do imposto
Fluxo de caixa precisa ser replanejado
Capital de giro pode ficar mais apertado inicialmente
Provisões financeiras devem considerar novo timing
Ações necessárias:
Simular fluxo de caixa nos dois cenários (antes/depois)
Avaliar necessidade de capital de giro adicional
Renegociar linhas de crédito se necessário
Ajustar projeções financeiras de médio prazo
5. Conformidade e Governança
5.1 Estrutura de Compliance Tributário
Com mais clareza nas regras, a fiscalização também será mais rigorosa. O fisco terá acesso a dados em tempo real e poderá identificar erros com mais facilidade.
Monte uma estrutura de compliance:
Responsabilidades definidas:
Quem aprova classificações fiscais de produtos?
Quem valida documentos fiscais antes de emissão?
Quem concilia créditos tributários?
Quem acompanha mudanças legislativas?
Controles internos:
Checklist de validação para cada documento fiscal
Revisão periódica de classificações tributárias
Auditoria interna trimestral de conformidade
Relatórios gerenciais de riscos fiscais
Documentação:
Registre todas as decisões tributárias importantes
Mantenha memórias de cálculo organizadas
Documente consultas a especialistas
Crie histórico de adequações realizadas
5.2 Relacionamento com Contabilidade Externa
Se sua empresa trabalha com escritório de contabilidade:
Alinhamento necessário:
Defina claramente responsabilidades de cada parte
Estabeleça cronograma de entregas de informações
Garanta que o contador está capacitado na reforma
Crie rotina de reuniões mensais de alinhamento
Atenção: Mesmo com contador externo, a responsabilidade final é da empresa. Não terceirize o entendimento do que está acontecendo.
Desafios específicos por porte e setor
Microempresas e MEI
O Simples Nacional e o MEI serão mantidos, mas suas regras de compatibilidade com a CBS e o IBS ainda dependerão de leis complementares específicas.
Situação atual: As regras finais para Simples e MEI ainda não estão totalmente definidas. Porém, é certo que haverá mudanças.
O que fazer agora:
Acompanhe publicações sobre regulamentação do Simples
Avalie se permanência no regime continua vantajosa
Organize documentação fiscal mesmo sendo MEI
Prepare-se para possível migração de regime
Pequenas e Médias Empresas
A nova lei coloca pequenos empresários diante de um dilema: permanecer integralmente no Simples Nacional e transferir créditos menores que os concorrentes fora do regime, ou adotar um regime híbrido, recolhendo separadamente o IBS e a CBS, cujos custos tributários são mais elevados.
Decisão crítica: Esta escolha afeta diretamente sua competitividade. Uma análise financeira detalhada é essencial.
Cenários a simular:
Simples Nacional puro: Menor complexidade, possivelmente menor crédito
Regime híbrido: Maior complexidade, possibilidade de mais créditos
Lucro Presumido/Real: Máxima complexidade, máximo aproveitamento de créditos
Não existe resposta universal. Depende de:
Seu setor de atuação
Perfil dos seus clientes (B2B ou B2C)
Estrutura da sua cadeia de suprimentos
Capacidade operacional da sua equipe
Grandes Empresas e Indústrias
Empresas de maior porte enfrentam desafios diferentes:
Complexidade operacional:
Múltiplas unidades em diferentes estados
Centenas ou milhares de SKUs para classificar
Cadeias de suprimentos extensas e complexas
Contratos de longo prazo que precisam ser revistos
Vantagens:
Estrutura para absorver investimentos necessários
Equipes especializadas em tributário
Sistemas de gestão robustos
Capacidade de contratar consultorias especializadas
Foco principal:
Planejamento tributário estratégico
Otimização de créditos tributários em cadeia complexa
Gestão de riscos fiscais em múltiplas jurisdições
Compliance rigoroso com governança corporativa
Setores com Tratamento Diferenciado
Empresas de setores como agronegócio, combustíveis, telecomunicações e saúde deverão estar atentas a regimes especiais e compensações de crédito.
Setores com atenção especial:
Saúde e medicamentos: Alíquotas reduzidas específicas
Alimentos: Cesta básica com tratamento diferenciado
Agronegócio: Regimes especiais mantidos parcialmente
Construção civil: Regras específicas para obras
Transporte: Tratamento diferenciado em discussão
Se sua empresa atua nesses setores, o acompanhamento legislativo é ainda mais crítico.
Erros a Evitar
Erro 1: Acreditar que "não afeta minha empresa"
Realidade: A reforma afeta literalmente todas as empresas que vendem produtos ou serviços no Brasil, sem exceção.
Mesmo MEIs e Simples Nacional terão mudanças. Mesmo empresas de serviços. Mesmo quem exporta.
Erro 2: Deixar tudo para o contador
Contadores são essenciais, mas eles não conhecem seu negócio como você. Decisões sobre:
Regime tributário
Precificação
Estrutura operacional
Investimentos em tecnologia
São decisões de gestão, não apenas contábeis.
Erro 3: Não Investir em tecnologia adequada
Se houver qualquer inconsistência entre os campos dos documentos fiscais, a nota será rejeitada automaticamente.
Tentar fazer a transição sem sistema adequado é como tentar construir um prédio sem ferramentas apropriadas. Tecnicamente possível, mas altamente arriscado e ineficiente. Conte com o ERP Easy para tornar a transição mais segura e de acordo com as novas regras.
Erro 4: Subestimar o tempo necessário
Adequação à Reforma Tributária não é projeto de 30 dias. É transformação que leva meses e exige:
Análise estratégica
Investimentos aprovados
Sistemas implementados
Pessoas treinadas
Processos ajustados
Testes realizados
Quem começar em dezembro de 2025 já estará atrasado.
Erro 5: Não Documentar Decisões
A fiscalização será mais rigorosa, com o fisco tendo acesso a dados em tempo real e podendo identificar erros com mais facilidade.
Cada decisão tributária importante deve ser:
Documentada por escrito
Fundamentada tecnicamente
Aprovada formalmente
Arquivada adequadamente
Em eventual fiscalização, você precisará justificar suas escolhas.
Por que o seu sistema de gestão importa
Ao longo deste artigo, mencionamos repetidamente a importância de sistemas de gestão adequados. Vale esclarecer esse ponto sem promessas irreais.
O que um ERP faz:
Centraliza informações operacionais, fiscais e financeiras
Processa cálculos tributários conforme parametrização
Gera documentos fiscais com campos obrigatórios
Mantém histórico completo de operações
Produz relatórios para análise e decisão
Facilita auditoria e rastreabilidade
O que um ERP NÃO faz sozinho:
Não toma decisões estratégicas por você
Não se parametriza automaticamente
Não substitui conhecimento técnico da equipe
Não garante conformidade sem supervisão humana
Não elimina necessidade de contador
Não transforma má gestão em boa gestão
Por que planilhas não são suficientes
A realidade é matemática:
Complexidade da reforma:
3 tabelas fiscais obrigatórias
Campos novos em documentos fiscais
Cálculos de créditos tributários por operação
Gestão simultânea de 2 sistemas (2026-2033)
Validações automáticas pelo fisco
Rejeição automática de inconsistências
Capacidade de planilhas:
Processamento manual
Alta probabilidade de erro humano
Sem validações automáticas
Difícil auditoria
Impossível integração em tempo real
A conta não fecha. A complexidade superou a capacidade de gestão manual.
O papel do ERP Easy
O ERP Easy, como outros sistemas de gestão empresarial robustos, é uma ferramenta. Uma ferramenta sofisticada, mas ainda assim uma ferramenta que requer:
Investimento em implementação:
Tempo para configuração adequada
Parametrização fiscal específica do seu negócio
Integração com seus processos atuais
Migração cuidadosa de dados históricos
Capacitação contínua:
Treinamento inicial da equipe
Reciclagens periódicas
Acompanhamento de atualizações
Desenvolvimento de boas práticas de uso
Gestão ativa:
Monitoramento de indicadores
Ajustes conforme necessidade
Validação de resultados
Supervisão humana constante
Não existe "piloto automático". Existe, sim, uma base tecnológica sólida que, bem utilizada por equipes capacitadas, permite enfrentar a complexidade da Reforma Tributária de forma estruturada e controlada.
Conclusão: não existe atalho, mas existe caminho
A Reforma Tributária é a maior transformação fiscal do Brasil em décadas. Não há como fugir dela, e não há solução simples ou rápida.
O que sabemos com certeza:
A reforma está acontecendo - LC 214/2025 já foi publicada
Prazos são reais - Janeiro de 2026 é obrigatório
Complexidade é alta - Duas sistemas simultâneos por 7 anos
Fiscalização será rigorosa - Tecnologia permite controle em tempo real
Empresas não preparadas sofrerão - Rejeições, multas, perda de competitividade
Não há solução fácil - Ninguém vai apertar um botão e resolver tudo por você. É trabalho árduo, investimento necessário e disciplina operacional.
Não dá para deixar para depois - Janeiro de 2026 vai chegar. Empresas despreparadas simplesmente não conseguirão operar legalmente.
Conte com o ERP Easy como um parceiro estratégico e que fornecerá a base tecnológica adequada para que a sua empresa realize todas as transições necessárias com segurança e eficiência.





Comentários